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Mercado Livre + BESS: por que a gestão da carga será cada vez mais importante no Brasil

21 de set.
3 min de leitura

No dia 15 de setembro, a SunBridge realizou um webinar com a Ecom Energia para discutir as mudanças no Mercado Livre e como armazenamento pode se integrar à estratégia energética dos consumidores.

A principal conclusão foi que, para quem já está no ACL, economizar não depende apenas do preço da energia contratada. Demanda, TUSD, encargos, perfil de carga e estrutura do contrato passam a ser igualmente importantes.


Mercado Livre já é realidade para o Grupo A

Desde 2024, todos os consumidores do Grupo A podem migrar para o Mercado Livre. Segundo os dados apresentados pela Ecom, o ACL já representa cerca de 41% do consumo brasileiro, com aproximadamente 77 mil unidades consumidoras, e cerca de 91% do consumo industrial e comercial elegível já está nesse ambiente.

A migração, porém, não elimina a distribuidora da equação. O consumidor continua pagando pelo uso da rede e mantém um CUSD (Contrato de Uso do Sistema de Distribuição), no qual é definido o MUSD, ou montante de demanda contratado. Na modalidade tarifária azul há contratação e tarifas diferenciadas para ponta e fora de ponta; na verde, a estrutura é diferente.

Em outras palavras, a conta de um consumidor livre continua tendo três grandes blocos: energia, fio e encargos. A economia precisa ser analisada sobre o conjunto — não apenas comparando o preço do MWh.


Contratar energia também significa administrar risco

Outro ponto importante do webinar foi a gestão dos próprios contratos de energia.

Contratos no ACL normalmente cobrem períodos futuros determinados. A Ecom comentou, por exemplo, uma política de contratação em janelas de aproximadamente 3 a 5 anos, dependendo das condições e do risco de mercado. Isso significa que uma empresa cujo contrato termina em 2027 não deveria necessariamente esperar 2027 para renegociar: a comercializadora pode aproveitar janelas anteriores de preço para travar parte da energia futura.

Esse é um aspecto frequentemente subestimado do Mercado Livre. O resultado não depende apenas de ter migrado, mas de como a posição de energia é gerida ao longo do tempo.

Também existem diferentes estruturas comerciais e níveis de exposição a volume e preço. Por isso, perfil de consumo, flexibilidade contratual e estratégia de compra precisam ser avaliados conjuntamente.


ERCAP coloca o horário do consumo no centro da discussão

O webinar também chamou atenção para o crescimento do ERCAP — Encargo de Reserva de Capacidade, utilizado para remunerar capacidade disponível ao sistema nos momentos em que o SIN precisa de potência.

Segundo os dados apresentados, o encargo chegou a aproximadamente R$ 1,76 mil/MW em julho de 2026, enquanto a projeção apresentada para janeiro de 2030 alcança R$ 25,7 mil/MW, considerando a entrada de novos contratos de reserva de capacidade.

Mais relevante ainda é a discussão regulatória em andamento. A CP MME 229/2026 propõe alterar o critério de rateio para relacioná-lo à máxima demanda líquida do SIN. A lógica é criar um sinal econômico para que grandes consumidores reduzam ou desloquem carga justamente nos períodos mais críticos do sistema. A regra, porém, ainda está em discussão.

Isso muda a lógica econômica: não importa apenas quanto uma empresa consome, mas quando ela consome.


E onde o BESS entra?

É justamente nessa interseção entre contratação de energia, demanda, custo do fio e encargos que o BESS ganha relevância.

Em vez de analisar apenas a economia de ponta versus fora de ponta, o consumidor pode combinar redução de picos, gestão de encargos e exposição horária ao mercado. Em determinados casos, a bateria também pode permitir maior flexibilidade sem exigir alterações no processo produtivo.

Mas a conclusão do webinar foi igualmente importante no sentido contrário: BESS não é automaticamente viável para todo consumidor. A análise precisa considerar memória de massa, contrato de energia, modalidade tarifária, demanda contratada e, principalmente, o plano de expansão de carga da empresa.


A oportunidade está na gestão integrada

O Mercado Livre começou com uma proposta relativamente simples: permitir que empresas escolhessem seu fornecedor de energia.

Com a maturidade do mercado, a discussão está ficando mais sofisticada. Preço da energia, momento da contratação, demanda, fio, encargos e perfil horário de consumo passam a fazer parte da mesma decisão.

É nesse contexto que comercialização e armazenamento começam a convergir.

Para consumidores e parceiros da SunBridge, talvez esse seja o principal aprendizado: antes de perguntar qual bateria instalar, é preciso entender como aquele consumidor compra, contrata e utiliza energia.

 
 
 

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