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Da fatura à oportunidade: como ler uma conta do Grupo A e encontrar espaço para o BESS

28 de set
5 min de leitura

Uma fatura de energia do Grupo A pode parecer complexa à primeira vista. TUSD, TE, demanda contratada, ponta, fora ponta, impostos, subsídios, mercado livre — são muitas variáveis.

Mas, para quem trabalha com sistemas de armazenamento de energia, entender essa estrutura é fundamental. Antes de dimensionar uma bateria, precisamos entender onde está o custo — e, portanto, onde pode estar a oportunidade.

Esse foi o tema do webinar realizado pela SunBridge em parceria com a Solar Finance, conduzido por Luan Ramos: como sair da leitura da fatura para uma primeira avaliação da oportunidade de BESS.

A principal conclusão é simples:

Não comece pela bateria. Comece pela fatura.

1. Primeiro: entenda quem é o consumidor

Os consumidores do Grupo A recebem energia em média ou alta tensão e são divididos em diferentes subgrupos — A1, A2, A3, A3a, A4 e AS — de acordo com o nível de tensão de fornecimento. Na prática, grande parte dos clientes comerciais e industriais analisados no dia a dia está no subgrupo A4.   


Mas saber que o cliente é A4 ainda não é suficiente. Um dos primeiros pontos a identificar na fatura é a modalidade tarifária: Verde ou Azul.

Na modalidade Verde, há uma única demanda contratada, mas tarifas de consumo diferentes entre ponta e fora ponta. Na modalidade Azul, além das tarifas de consumo, existem demandas distintas para ponta e fora ponta.     Live Solar Finance - SunBridge …

Essa diferença importa porque muda completamente a lógica econômica de uma bateria.

Um exemplo simples

No exemplo apresentado durante o webinar, um consumidor A4 Verde tinha:

Ou seja: não basta olhar apenas o preço do kWh.

É preciso entender simultaneamente consumo e demanda.


2. O que realmente compõe o preço da energia?

Outro conceito importante é que o valor pago por kWh não é um único custo.

De forma simplificada, a tarifa pode ser entendida a partir de três grandes blocos:

TUSD — uso da rede de distribuiçãoTE — energiaImpostos — principalmente ICMS, PIS e COFINS

A apresentação mostra visualmente como esses componentes mudam entre ponta e fora ponta. No exemplo A4 Verde, a tarifa total passa de aproximadamente R$ 0,48/kWh fora ponta para R$ 2,34/kWh na ponta, com a TUSD respondendo por uma parcela importante dessa diferença.     

E é justamente aí que começa a aparecer uma das aplicações mais conhecidas do BESS: load shifting.

A bateria pode carregar quando a energia é economicamente mais barata e descarregar durante o período mais caro.

Economia potencial ≈ energia evitada na ponta – custo de recarga – perdas do sistema


3. A diferença entre ponta e fora ponta é o primeiro filtro

Um dos exemplos analisados no webinar deixa isso particularmente claro.

Em uma fatura da Coelba, aproximadamente 4.400 kWh consumidos na ponta geravam cerca de R$ 16 mil somente em TUSD, enquanto mais de 11.000 kWh fora ponta geravam aproximadamente R$ 2 mil nessa mesma componente.

Isso mostra por que dois clientes com consumo mensal semelhante podem ter oportunidades completamente diferentes para BESS.

O que importa não é apenas:

“Quanto o cliente consome?”

Mas principalmente:

“Quando ele consome — e quanto custa consumir naquele horário?”

Por isso, uma análise comercial inicial pode começar com quatro perguntas:

  1. Qual é o consumo na ponta?

  2. Qual é o consumo fora ponta?

  3. Qual é o custo efetivo do kWh em cada período?

  4. Qual é a demanda contratada e medida?

Se a diferença econômica for relevante, vale aprofundar a análise.


4. Demanda contratada: outra linha que não pode ser ignorada

A demanda pode ser entendida, de forma simplificada, como a capacidade da rede reservada para aquele consumidor.

No exemplo Coelba apresentado, o cliente possuía 490 kW de demanda contratada, mas utilizou aproximadamente 281,5 kW no mês analisado.  

Isso levanta outra pergunta antes de oferecer uma bateria:

O problema precisa realmente de BESS ou pode existir uma otimização contratual mais simples?

Esse ponto é importante.

Nem toda economia encontrada em uma fatura precisa ser resolvida com bateria. Uma boa análise deve identificar primeiro a origem do custo e só depois determinar a solução.

Da mesma forma, consumo ou energia reativa pode aparecer na conta, mas o webinar reforçou que esse tipo de situação normalmente exige uma análise mais profunda, incluindo memória de massa, antes de concluir qual solução é adequada.


5. E no Mercado Livre?

Aqui a análise muda.

No consumidor cativo, a energia e o uso da rede aparecem essencialmente dentro da relação com a distribuidora.

No Mercado Livre, é necessário olhar pelo menos duas relações:

Distribuidora → TUSD / uso da rede

Comercializadora → energia contratada

Isso significa que simplesmente comparar o valor total da conta de um consumidor livre pode produzir uma conclusão errada.

É preciso reconstruir o custo efetivo da energia.

Além disso, alguns consumidores possuem descontos na TUSD associados à energia incentivada. Isso pode reduzir significativamente o spread econômico disponível para arbitragem com bateria.

Por isso, o webinar destacou que arbitragem pura pode ser mais difícil em determinados consumidores livres, e que nesses casos é importante avaliar outras fontes de valor do BESS — em vez de descartar automaticamente o projeto.


6. Para consumidores livres, pense em “empilhamento de valor”

Esse talvez seja o ponto mais interessante para conectar o conteúdo da Solar Finance com a tese da SunBridge.

Um BESS não precisa gerar valor de uma única maneira.

Dependendo do perfil do consumidor, ele pode combinar:

load shifting + peak shaving + backup + qualidade de energia + integração com solar + gestão da carga.

No webinar, a discussão destacou justamente que, para alguns consumidores livres, a arbitragem isolada pode não ser suficiente e o projeto passa a fazer mais sentido quando diferentes fontes de valor são combinadas.

Isso muda a pergunta comercial.

Em vez de perguntar:

“Quanto a bateria economiza na ponta?”

A pergunta passa a ser:

“Quais problemas energéticos deste cliente uma bateria pode resolver ao mesmo tempo?”

7. Cuidado: no Mercado Livre, leia também o contrato

A fatura não conta toda a história.

Durante o webinar, houve um alerta importante: alguns consumidores livres possuem contratos estruturados em torno de determinado perfil ou curva de carga.

Ao instalar um BESS, o perfil de consumo do cliente pode mudar significativamente. Dependendo das condições contratuais, isso pode exigir comunicação ou coordenação com a comercializadora ou gestora de energia.

Ou seja:

não basta modelar a economia da bateria; é necessário entender se a operação proposta é compatível com os contratos existentes do cliente.

Essa é uma diferença importante entre fazer uma simulação e estruturar um projeto executável.


8. Da análise preliminar ao projeto

A fatura é um excelente ponto de partida, mas não é o dimensionamento final.

Ela permite responder rapidamente:

Existe uma oportunidade suficientemente interessante para continuar estudando este cliente?

Se a resposta for sim, começa a segunda etapa.

Aí entram memória de massa, curva de carga, potência máxima, perfil horário, operação do cliente, requisitos de backup, infraestrutura elétrica, transformadores e demais condições técnicas.

A sequência mais eficiente, portanto, é:

FATURA

↓

IDENTIFICAR A DOR

↓

ESTIMAR A OPORTUNIDADE

↓

ANALISAR CURVA DE CARGA

↓

DIMENSIONAR O BESS

↓

MODELAR ECONOMIA

↓

PROPOSTA


O BESS começa com uma boa pergunta, não com uma especificação técnica

Para consumidores do Grupo A, vender armazenamento exige mais do que conhecer potência e capacidade de uma bateria.

É preciso saber interpretar a realidade econômica do cliente.

Como destacou o webinar, vendas para consumidores de maior porte exigem conhecimento da fatura e dos contratos, capacidade de demonstrar cenários com números e habilidade para conversar tanto na linguagem financeira do CFO quanto na linguagem técnica da engenharia.

É justamente por isso que a análise da fatura é tão importante. Ela transforma uma conversa sobre equipamento em uma conversa sobre problema, economia e valor. E é daí que começa um bom projeto de BESS.


Para se aprofundar em faturas do Grupo A, conheça também os treinamentos da Solar Finance.

 
 
 

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